segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Botafogo impedido por bandeirinha Smurf


O maior destaque da atual fase do Botafogo é, sem dúvidas, o goleiro Jefferson, nosso esteio. Faço uso da máxima que já se tornou notório clichê: "Se contássemos com a ‘Barragem Jefferson' desde o início das inundações, não estaríamos fugindo das águas." Por pouco nosso salvador não conseguiu impedir que o adversário fizesse um golzinho.

O sistema defensivo também se mostra mais organizado e sofre menos ainda com a ausência de Juninho.

Mas a pergunta de hoje é: Por que mudar, Estevam?

Podem achar que a ação de anti-inflamatórios esteja me comprometendo o juízo, uma vez que o esquema com três atacantes não foi alterado. Mas na prancheta os esquemas escondem o que de fato aconteceu nas últimas três partidas.

A escalação de Reinaldo sugere a presença de um terceiro atacante, o que é uma verdade, mas em campo Reinaldo – bem contra o Atlético MG e mal contra o Avaí – funcionou como um meia com aptidões ofensivas. Isto se exemplifica com algumas ótimas chegadas ao ataque e finalizações, uma boa distribuição de jogadas e, principalmente, a manutenção da posse de bola no campo adversário. Era um 4-4-2 camuflado.

Ao substituir um jogador que possui habilidade, experiência e visão de jogo por outro que não reúne nenhum destes atributos, o técnico Estevam Soares criou um esquema de jogo completamente diferente do que atuou de forma brilhante contra o Atlético MG.

Victor Simões desperdiça contra-ataques, pois, apesar de ser veloz, tem o raciocínio lento; não contribui com a distribuição de jogadas e se movimenta de maneira equivocada, uma vez que a deficiência de seu passe e a visão míope do esporte que pratica o impossibilita de entender o desdobramento das ações e reagir satisfatoriamente; não contribui para a garantia da posse de bola, por seu controle da mesma se mostrar medíocre ou inexistente. Ou seja, ao escalar Victor Simões, Estevam Soares não garantiu ao Botafogo o poder ofensivo que aliviou nossa defesa nos jogos em que contamos com Jobson e Reinaldo, ao mesmo tempo que promoveu o enfraquecimento do meio-de-campo.

Mesmo assim, a velocidade de Jobson e a presença de André Lima conseguiram dar trabalho à defesa adversária.

Os erros de Estevam:
- Acreditou que Victor Simões poderia cumprir a função que Reinaldo exerceu contra o Atlético MG. (Não temos no plantel um jogador que possa desempenhar essa função, que é a de armar jogadas, cadenciar o jogo, se apresentar na articulação de tramas de ataque e finalizar bem);
- Não escalou um meia capaz de armar e distribuir jogadas, deixando um vácuo no meio-de-campo. Esta função poderia ter sido desempenhada por Rodrigo Dantas ou Jônatas;
- Optou pelo inócuo, Fahel, na proteção da zaga, tendo Batista à sua disposição;
- Ao invés de apostar na velocidade de Laio ou na visão de jogo e bom toque de bola de Jônatas e Rodrigo Dantas, optou inexplicavelmente por escalar Victor Simões.

Acertos de Soares:
- Montou um sistema de defensa eficiente que, se não beira à perfeição, também não nos assusta como o que tínhamos anteriormente. (quando não sofremos com as limitações de Juninho, lá está Emerson a nos assombrar);
- A saída de bola continua razoavelmente eficaz pelas laterais do campo;
- Melhorou o aspecto psicológico e moral da equipe, conseguindo fazer com que os jogadores se mantenham empenhados, mesmo nas partidas em que a equipe não consegue jogar seu melhor futebol.

O Flamengo pode se tornar uma vítima das melhorias conseguidas por Estevam Soares, no comando alvinegro.

Nota: Não fosse mais um erro de arbitragem, ao invés de sofrermos um gol, poderíamos ter assumido a vantagem na partida, já que a jogada que culminou no gol adversário teve origem em impedimento mal assinalado. Foram três impedimentos marcados erroneamente (contra o Botafogo) durante a partida. Difícil saber se a lei do impedimento é uma norma, ou impedir que o Botafogo faça gols é a regra.

Saudações alvinegras!

14 comentários:

Fernando Gonzaga disse...

concordo em partes com você...não acho que o Reinaldo teria acrescentado alguma coisa, caso tivesse iniciado a partida...uma coisa está muito claro, o Lúcio Flávio não tem a menor de condição de armar o time sozinho...a defesa está mais bem protegida, mas tem horas que dá um branco geral...

minha preocupação é o clássico contra o time da favela...todo esse oba oba em cima da campanha deles, me assusta, pois sabemos muito bem do que as arbitragens são capazes...

abraço!!!

Lewis Kharms disse...

Fernando,
Eu falo da 'função' que o Reinaldo desempenhou contra o Atlético Mineiro. E se jogasse como jogou, seria um outro time. Isso no campo do 'seria'...

E você tocou num ponto-chave: "Lúcio Flávio não tem a menor condição de armar o time sozinho". Perfeito.

Se a bandeira do auxiliar 'azulou' (pode ter sido um erro, mas são erros demais!) em BH, o que dizer do que pode acontecer aqui, uma vez que a própria diretoria considera e declara abertamente que as arbitragens foram boas nas finais do Carioca? Precisaremos golear. 2x0 não será placar suficiente.

Saudações alvinegras!

Gustavo disse...

Grande Luiz.

Cara, eu concordo com você. Atualmente eu acredito que o V. Simões tem que ser reserva do A. Lima. POIS ACHO que perto da area ele tem um pouco mais de utilidade, vide o jogo contra o Avai.

Acredito numa boa opção seria escalar o time com o R. Dantas, L. Flávio, Batista (W, Junior) e LG no meio de campo e jobson e A. Lima na Frente.

Acho que como o Diego fica um pouco mais. UM 4-3-1-2 com a subida do Dantas pela Direita e Batista e ou WJ pela esquerda poderiam dar mais qualidade na saída de Bola e ajudar ao senhor L. Flávio na armação de jogadas, junto com as subidas do Alessandro e as evetuais subidas do Diego, teriamos em certas ocasioes, atacando com 7 jogadores. Acho honestamente essa formação um pouco mais "equilibrada" Você teria equilíbrio defensivo e preechiria o meio com 4 jogadores.

Pois não adianta ter 3 atacantes se você tem um meia que nem o L. Flávio armando jogadas. É uma questão de estilo de jogo. O estilo do L. fLÁVIO é mais de toque de bola de cadenciar, enfim, muito diferente do Maicosuel, só para citar este Exemplo.

SAN

Lewis Kharms disse...

Gustavo,
Quando você fala em atacar com 7 jogadores, isso me lembra o jogo contra o Atlético MG. É justamente essa a ideia.

Sem 2 jogadores funcionando como meias, as coisas ficam mais difíceis.

Quanto ao VS, nem sei se ele seria uma boa opção como homem de área, pois conclui mal e parece sempre estar sempre a se imaginar num treino na Gávea. No meu entender este jogador não serve pra absolutamente nada. Qualquer um faria o que fez no jogo contra o Avaí. Foi pura sorte, coisa que ele não tem normalmente.

Saudações alvinegras!

Gil disse...

Luiz,
Como está o joelho?
Muito bom o teu retorno!
O ES começou a me decepcionar! Acho que ele, como o embuste de treinador e cantor de boteco, escala jogador que os "parceiros empresários" mandam.
Não é possível o Fahel, Léo Silva, Renato e outros, continuarem no time. Acho que ele está jogando fora uma grande oportunidade e vai ser, eternamente, treinador de time pequeno.
Os garotos jogam melhor e possuem muito mais vontade e identidade com o clube que essas malas.

Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

Gustavo disse...

Pois é Biriba. A questão é justamente essa. O VS por não ter essas qualidades por você citadas tem que ser reserva.

Mais como não somos nós que escalamos o time, torceremos para que os jogadores escolhidos pelo Estevam possam ter um bom desempenho e o Botafogo possa fazer bons jogos, tanto hoje, quanto no Domingo

Ruy Moura disse...

Biriba, em minha opinião - incluindo Maicosuel - Jeferson foi o único elemento realmente consistente no Botafogo 2009. Incluo na avaliação: dirigentes, treinadores, preparadores, jogadores e torcedores.

Abraços Gloriosos!

Lewis Kharms disse...

Gil,
A minha 'volta' está parecendo coisa do dep. médico alvinegro. O ortopedista fala de algo entre 6 e 8 semanas sem colocar o pé no chão. A lesão atrapalhou muito minha agenda profissional e não me sobrou tempo nem mesmo pra responder seu comentário há mais tempo. E vai ser muito gelo e 'exercícios' durante o fim de semana. Hoje, pela primeira vez, senti muita falta de uma geladinha...

A relação entre empresas de agenciamento e o Botafogo tem sido há muito tempo danosa ao clube. Isso não é uma exclusividade nossa, mas acho que poderíamos pelo menos tentar fazer melhores negócios, o que não vai acontecer durante esta gestão.

Que as firmas e os empresários são poderosos, ninguém duvida. Mas fico imaginando se realmente existe poder suficiente nas mãos de pessoas e empresas para conseguirem forçar um clube da primeira divisão do Campeonato Brasileiro a escalar Fahel, Leo Silva, Renato, Emerson e similares ou se esse jogo de forças só consegue pender pro lado do capital mediante o beneplácito amador ou profissional dos dirigentes.

Existem exemplos de clubes que mantêm uma relação proveitosa com estes agentes. Temos que continuar a batalha pra mudar o rumo e renovar o pensamento em GS.

Saudações alvinegras!

Lewis Kharms disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lewis Kharms disse...

Gustavo,
Esse Victor Simões é pior do que um mal jogador: ele sabota o time, é agente infiltrado. Contra o Flamengo joga como uma gatinha angorá.

E como se não fosse suficiente a limitação do plantel, ainda resolvem escalar os piores! Sendo que Leo Silva, é bom que se faça justiça, é um sabotador mais eficiente e descarado que o VS.

O que pode nos livrar do pior na próxima partida é a rivalidade e a tendência ridícula pelo fatídico 2 x 2.

Saudações alvinegras!

Lewis Kharms disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lewis Kharms disse...

Concordo, Rui. Está mais do que provado que podemos dizer: "Agora temos goleiro!" Acho que se o Jefferson tivesse um comportamento mais sério e aprimorasse sua reposição de bola, seria disparado o melhor goleiro do campeonato. No Brasil não vejo nenhum outro que se equipare ao nosso goleiro em reflexo, explosão e antecipação de situações. Fora o corpanzil, que ele faz parecer pesar 60 quilos. Que fique por muito tempo. Esse mantém a tradição alvinegra de contar com grandes goleiros.

Saudações alvinegras!

Vicente Couto disse...

Luiz, não entendi.

O Jefferson não se comporta com seriedade?

Lewis Kharms disse...

Vicente,
Debaixo das traves, sim. Mas quando cisma em matar a bola no peito com um certo desdém, sair da área e driblar o adversário... Acho que exagera na dose de algo que considero saudável, que é mostrar confiança e habilidade, minar o lado emocional do adversário, essas coisas.

Não tem nada a ver com a falta de seriedade e a 'máscara' de Juninho, Eduardo, Jônatas e Michael.

Sou um grande admirador do Jefferson, que acho um dos melhores que já vi atuando, senão o melhor.

SA!