quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Finalmente um plano


A partida de ontem revelou que Estevam Soares já tem um bom conhecimento do elenco a seu dispor e que, principalmente, projeta estratégias inteligentes tanto de jogo, quanto de planejamento.

Sua opção por escalar um time misto serviu para poupar os jogadores que vão disputar a próxima partida do Brasileirão – competição em que estamos em situação perigosa – e pra fazer algumas observações, testes e aproveitar o jogo como prática de preparação física:

1) Testou as condições de jogo do zagueiro Teco e uma formação ofensiva baseada em jogadas de velocidade, flanco e contra-ataque, com dois jogadores velozes (Victor Simões e Ricardinho, com Laio como opção), apoiados por um meia com boa capacidade de aproveitamento dos espaços (Jônatas);
2) Testou um sistema de cobertura das laterais baseado na escalação de um terceiro zagueiro – por falta de laterais de ofício e por saber que Gabriel não é eficiente como defensor;
3) Observou o rendimento de Gabriel no apoio ao ataque, bolando jogadas pra que isso pudesse ser efetivado;
4) ‘Tentou’ manter o horripilante trio neyfranquista, Emerson, Fahel e Leo Silva, com ritmo de jogo;
5) Usou o jogo como prática de preparação física para Jônatas e o rastejante Renato, não os substituindo quando já estavam nitidamente à espera de exumação.

* * *

O técnico teve excelente atuação.

Conseguiu montar um sistema defensivo bem articulado, mesmo sendo obrigado a conviver com a existência de Emerson e com a máscara de Eduardo.

Deu a braçadeira de capitão a Jônatas, o que parece ter produzido bom resultado psicológico, fazendo com que o jogador se empenhasse mais e assumisse a responsabilidade da distribuição das jogadas. (A visão de jogo e o bom passe de Jônatas livraram o meio-de-campo da desgraça, uma vez que as presenças de Fahel e Leo Silva são um aceno à mediocridade).

Posicionou Renato no campo ofensivo. Infelizmente o jogador não conseguiu transformar-se naquilo que não é e tudo o que produziu foi colaborar para manter a posse de bola no campo de ataque nos primeiros 45 minutos, o que parece ter sido a intenção do técnico.

Explorou bem as características individuais de Victor Simões. Apesar de ter um domínio de bola sofrível, o que faz com que percamos várias oportunidades de manter a bola no campo de ataque, demonstrou bom discernimento para desempenhar a função tática de terceiro homem de meio-de-campo, quando o adversário retoma a posse de bola. Seu vigor físico e empenho o fazem uma peça extremamente útil para barrar a transição da equipe oponente.

A opção por uma estratégia baseada em jogadas de velocidade foi potencializada com a presença de um jogador ágil e de certa habilidade. A dúvida quanto ao Ricardinho é saber se ele será um jogador realmente útil ou mais uma enganação semelhante a Jean Carioca. Ele tem tudo pra ser uma grata surpresa, ao mesmo tempo que pode se revelar um jogador do tipo “quase”. Quase faz gol, quase acerta o drible, o passe, o chute... Ficamos na torcida pra que não seja um “quase”.

Escalar o goleiro Flávio também foi um acerto, pois além de não lançar Milton Raphael numa competição de mata-mata, testou as possibilidades do terceiro reserva, que fez uma defesa brilhante.

Mudou bem ao detectar o risco de Leo Silva ser expulso, quando o técnico adversário deslocou um atacante mais habilidoso para explorar nosso lado direito. Achei que demorou pra lançar Laio, mas a opção de Estevam Soares por esperar até um momento de maior exaustão do adversário se mostrou eficaz, num lance em que o atacante perdeu uma chance clara de gol, revelando que não é a revelação que esperávamos que fosse. (Quando o ímpeto adversário é parado por nossa defesa, o ataque também não colabora).

Saldo positivo, mas poderia ter sido melhor. Agora é vencer em casa ou um abraço. O mais importante, no meu entender, é que fica a impressão de que temos um planejamento lúcido e coerente. Se vai dar certo ou não, só o futuro dirá.

Nota: A zaga se comporta infinitamente melhor sem a presença do Juninho.

Saudações alvinegras!

15 comentários:

Linkin Leo disse...

Grande Biriba,
O E.S. é um técnico que demonstra uma inteligência e uma dedução inata, apesar de não estar vindo as vitórias, sei muito bem que ele extinguirá o risco de rebaixamento! inclusive está trazendo gente sua pra compor a zaga, o que me leva a pensar que tem gente preparando as malas...
No mais é esperar pra ver!!
S.A a todos...

Luis Eduardo Carmo disse...

Linkin Leo,
Parece que o Estevam está confirmando as espectativas quanto às suas qualidades.

Continuo apoiando o treinador e acreditando que vamos nos reerguer na tabela.

SA!

Fernando Gonzaga disse...

é impressionante a burrice do Fahel e do Léo Silva, que batem o tempo todo, se arriscando a serem expulsos a qualquer instante...o Ricardinho nem deveria ter vindo, o Eduardo joga quando quer...
o Teco foi bem lá trás e o Jônatas acertou bons passes, pena que ele parece jogar sem vontade...

abraço!!

Luis Eduardo Carmo disse...

Fernando,
Concordo com tudo o que você disse.

O Fahel só não foi expulso porque o juiz não quis. Me deu a impressão que o Estevam deu uma de maluco e deixou o sujeito em campo pra ver se ele se queimava de vez.

A primeira impressão que tive do Ricardinho foi a de um sujeito que desperdiçou uma oportunidade única de arrancar um resultado fantástico contra o Grêmio e contra todos. Torço pra que seja só impressão.

Grande abraço e SA!

António Pista disse...

Depois de lançar A Mesa Redonda nas mais altas rodas da blogosfera nacional, regresso à minha casa, ao Águia de Ouro, que criei no dia 25 de Abril de 2007, desta vez não estou sozinho e vou trazer alguns amigos benfiquistas comigo.

Com um novo design e uma mais diversa e especializada opinião, o Águia de Ouro volta com mais força do que nunca.

Visitem, comentem e desfrutem:

http://aguia-de-ouro.blogspot.com/

No ultimo post os 5 torneios ganhos pelo SLB até agora...

Vicente Couto disse...

Muito boa tua análise Biriba, assino abaixo.
A melhor atuação foi sem dúvida do Estevam. Você percebe que ele enxerga bem o jogo, que suas respostas foram rápidas em relação às artimanhas do cascudo Lopes e sem abrir mão do ataque. Um jogo de xadrez. Discordo do amigo Fernando quanto ao Jônatas que prá mim foi a boa nova, mostrando pela primeira vez no Botafogo, prazer e dedicação ao jogar.
Acenderei uma vela ao Anjo de Guarda do Teco, para que ele não mais se contunda e volte a ser o jogador que vi jogar no Grêmio. Ontem deu mostras de que está se recuperando, fazendo-me sonhar com a barração de Juninho. Não tomamos gol, certo? Ricardinho ainda é uma incógnita, teve ontem como álibi o fato de ter como companheiro de ataque Vitor Simões. É isso Biriba, "Esperança e Glória"!

SA!!

Luis Eduardo Carmo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luis Eduardo Carmo disse...

Valeu, Vicente!
Esse eu assisti em casa e um pouco menos agustiado.

Estou botando fé no Estevam, mas agora com os pés no chão. Estava torcendo pra que desse certo e a saída do Ney Franco ajudou a fazer dele uma figura simpática. Mas era aposta.

No momento o trabalho dele já vai se revelando, mesmo com o pouco tempo em que está no clube e com o plantel que encontrou e do jeito que encontrou.

Me parece ser um sujeito de uma sensibilidade muito refinada, pois demonstra perceber as individualidades de cada jogador, tanto técnicas quanto psicológicas.

E mexe muito bem - como vc bem observou - mesmo quando não faz substituições. A equipe muda de estrutura durante as partidas, conforme as necessedades e dificuldades impostas pelo adversário.

E deixar o Jônatas e o Renato até o último minuto foi um achado que me fez rir, apesar de considerar que foi de grande esperteza.

Quanto ao Juninho, ele é amigo pessoal do vice de futebol...

SA!

Luis Eduardo Carmo disse...

Antônio,
Está registrada aqui sua volta ao mundo dos blogs. Farei uma visita, mas sempre respeitando os ditames do Biriba, que é fervoroso torcedor do Sporting.

Sucesso em sua novo empreitada e saudações alvinegras!

Gil disse...

Biriba,
Sabes que ao ver o lixo molambo com a braçadeira de capitão eu fiquei louco e cheguei a passar torpedo para o Rodrigo e o Fabio sobre isso!
Lendo o seu comentário entendi o motivo e tem muita lógica o teu raciocínio.
Como é bom deixar um pouco a paixão de lado!
Gostei, também, do trio neyfranquista! Excelente.

Estou confiante com o trabalho de ES e torço para que os incompetentes dos nossos dirigentes renovem o contrato dele ao final do ano. Tenho certeza que montará uma bela equipe e teremos alegria!

Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

Luis Eduardo Carmo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luis Eduardo Carmo disse...

Gil,
Eu não contrataria o sujeito, mas o fato é que ele veio. É um indolente por natureza e se acha um craque.

Só que ele é realmente um jogador de toque refinado, boa visão de jogo. Protege bem a bola e tem um passe muito bom.

Então, como fazer pra que esse cara jogue o futebol que sabe? Acho que ES encontrou a solução. ES me parece muito bom nas táticas psicológicas que emprega pra conseguir o que quer dos jogadores.

E ajustando o chutômetro oracular para o estágio mais alto, acredito que o Jônatas possa inclusive 'virar a casaca'. Mas isso é coisa de Pai Biriba, um profeta de meia tijela.

SA!

Saulo disse...

Nós temos que ganhar. Chega de empate.

saulobotafogo.blogspot.com

Luis Eduardo Carmo disse...

Saulo,
Nós vamos ganhar uma hora. A vitória não veio antes porque as arbitragens foram determinantes em alguns jogos e em outros o ataque não ajudou a superar essa ingerência.

E que seja amanhã, Saulo!

SA!

Luis Eduardo Carmo disse...

Saulo,
Nós vamos ganhar uma hora. A vitória não veio antes porque as arbitragens foram determinantes em alguns jogos e em outros o ataque não ajudou a superar essa ingerência.

E que seja amanhã, Saulo!

SA!