
A partida de ontem revelou que Estevam Soares já tem um bom conhecimento do elenco a seu dispor e que, principalmente, projeta estratégias inteligentes tanto de jogo, quanto de planejamento.
Sua opção por escalar um time misto serviu para poupar os jogadores que vão disputar a próxima partida do Brasileirão – competição em que estamos em situação perigosa – e pra fazer algumas observações, testes e aproveitar o jogo como prática de preparação física:
1) Testou as condições de jogo do zagueiro Teco e uma formação ofensiva baseada em jogadas de velocidade, flanco e contra-ataque, com dois jogadores velozes (Victor Simões e Ricardinho, com Laio como opção), apoiados por um meia com boa capacidade de aproveitamento dos espaços (Jônatas);
2) Testou um sistema de cobertura das laterais baseado na escalação de um terceiro zagueiro – por falta de laterais de ofício e por saber que Gabriel não é eficiente como defensor;
3) Observou o rendimento de Gabriel no apoio ao ataque, bolando jogadas pra que isso pudesse ser efetivado;
4) ‘Tentou’ manter o horripilante trio neyfranquista, Emerson, Fahel e Leo Silva, com ritmo de jogo;
5) Usou o jogo como prática de preparação física para Jônatas e o rastejante Renato, não os substituindo quando já estavam nitidamente à espera de exumação.
O técnico teve excelente atuação.
Conseguiu montar um sistema defensivo bem articulado, mesmo sendo obrigado a conviver com a existência de Emerson e com a máscara de Eduardo.
Deu a braçadeira de capitão a Jônatas, o que parece ter produzido bom resultado psicológico, fazendo com que o jogador se empenhasse mais e assumisse a responsabilidade da distribuição das jogadas. (A visão de jogo e o bom passe de Jônatas livraram o meio-de-campo da desgraça, uma vez que as presenças de Fahel e Leo Silva são um aceno à mediocridade).
Posicionou Renato no campo ofensivo. Infelizmente o jogador não conseguiu transformar-se naquilo que não é e tudo o que produziu foi colaborar para manter a posse de bola no campo de ataque nos primeiros 45 minutos, o que parece ter sido a intenção do técnico.
Explorou bem as características individuais de Victor Simões. Apesar de ter um domínio de bola sofrível, o que faz com que percamos várias oportunidades de manter a bola no campo de ataque, demonstrou bom discernimento para desempenhar a função tática de terceiro homem de meio-de-campo, quando o adversário retoma a posse de bola. Seu vigor físico e empenho o fazem uma peça extremamente útil para barrar a transição da equipe oponente.
A opção por uma estratégia baseada em jogadas de velocidade foi potencializada com a presença de um jogador ágil e de certa habilidade. A dúvida quanto ao Ricardinho é saber se ele será um jogador realmente útil ou mais uma enganação semelhante a Jean Carioca. Ele tem tudo pra ser uma grata surpresa, ao mesmo tempo que pode se revelar um jogador do tipo “quase”. Quase faz gol, quase acerta o drible, o passe, o chute... Ficamos na torcida pra que não seja um “quase”.
Escalar o goleiro Flávio também foi um acerto, pois além de não lançar Milton Raphael numa competição de mata-mata, testou as possibilidades do terceiro reserva, que fez uma defesa brilhante.
Mudou bem ao detectar o risco de Leo Silva ser expulso, quando o técnico adversário deslocou um atacante mais habilidoso para explorar nosso lado direito. Achei que demorou pra lançar Laio, mas a opção de Estevam Soares por esperar até um momento de maior exaustão do adversário se mostrou eficaz, num lance em que o atacante perdeu uma chance clara de gol, revelando que não é a revelação que esperávamos que fosse. (Quando o ímpeto adversário é parado por nossa defesa, o ataque também não colabora).
Saldo positivo, mas poderia ter sido melhor. Agora é vencer em casa ou um abraço. O mais importante, no meu entender, é que fica a impressão de que temos um planejamento lúcido e coerente. Se vai dar certo ou não, só o futuro dirá.
Nota: A zaga se comporta infinitamente melhor sem a presença do Juninho.
Saudações alvinegras!
15 comentários:
Grande Biriba,
O E.S. é um técnico que demonstra uma inteligência e uma dedução inata, apesar de não estar vindo as vitórias, sei muito bem que ele extinguirá o risco de rebaixamento! inclusive está trazendo gente sua pra compor a zaga, o que me leva a pensar que tem gente preparando as malas...
No mais é esperar pra ver!!
S.A a todos...
Linkin Leo,
Parece que o Estevam está confirmando as espectativas quanto às suas qualidades.
Continuo apoiando o treinador e acreditando que vamos nos reerguer na tabela.
SA!
é impressionante a burrice do Fahel e do Léo Silva, que batem o tempo todo, se arriscando a serem expulsos a qualquer instante...o Ricardinho nem deveria ter vindo, o Eduardo joga quando quer...
o Teco foi bem lá trás e o Jônatas acertou bons passes, pena que ele parece jogar sem vontade...
abraço!!
Fernando,
Concordo com tudo o que você disse.
O Fahel só não foi expulso porque o juiz não quis. Me deu a impressão que o Estevam deu uma de maluco e deixou o sujeito em campo pra ver se ele se queimava de vez.
A primeira impressão que tive do Ricardinho foi a de um sujeito que desperdiçou uma oportunidade única de arrancar um resultado fantástico contra o Grêmio e contra todos. Torço pra que seja só impressão.
Grande abraço e SA!
Depois de lançar A Mesa Redonda nas mais altas rodas da blogosfera nacional, regresso à minha casa, ao Águia de Ouro, que criei no dia 25 de Abril de 2007, desta vez não estou sozinho e vou trazer alguns amigos benfiquistas comigo.
Com um novo design e uma mais diversa e especializada opinião, o Águia de Ouro volta com mais força do que nunca.
Visitem, comentem e desfrutem:
http://aguia-de-ouro.blogspot.com/
No ultimo post os 5 torneios ganhos pelo SLB até agora...
Muito boa tua análise Biriba, assino abaixo.
A melhor atuação foi sem dúvida do Estevam. Você percebe que ele enxerga bem o jogo, que suas respostas foram rápidas em relação às artimanhas do cascudo Lopes e sem abrir mão do ataque. Um jogo de xadrez. Discordo do amigo Fernando quanto ao Jônatas que prá mim foi a boa nova, mostrando pela primeira vez no Botafogo, prazer e dedicação ao jogar.
Acenderei uma vela ao Anjo de Guarda do Teco, para que ele não mais se contunda e volte a ser o jogador que vi jogar no Grêmio. Ontem deu mostras de que está se recuperando, fazendo-me sonhar com a barração de Juninho. Não tomamos gol, certo? Ricardinho ainda é uma incógnita, teve ontem como álibi o fato de ter como companheiro de ataque Vitor Simões. É isso Biriba, "Esperança e Glória"!
SA!!
Valeu, Vicente!
Esse eu assisti em casa e um pouco menos agustiado.
Estou botando fé no Estevam, mas agora com os pés no chão. Estava torcendo pra que desse certo e a saída do Ney Franco ajudou a fazer dele uma figura simpática. Mas era aposta.
No momento o trabalho dele já vai se revelando, mesmo com o pouco tempo em que está no clube e com o plantel que encontrou e do jeito que encontrou.
Me parece ser um sujeito de uma sensibilidade muito refinada, pois demonstra perceber as individualidades de cada jogador, tanto técnicas quanto psicológicas.
E mexe muito bem - como vc bem observou - mesmo quando não faz substituições. A equipe muda de estrutura durante as partidas, conforme as necessedades e dificuldades impostas pelo adversário.
E deixar o Jônatas e o Renato até o último minuto foi um achado que me fez rir, apesar de considerar que foi de grande esperteza.
Quanto ao Juninho, ele é amigo pessoal do vice de futebol...
SA!
Antônio,
Está registrada aqui sua volta ao mundo dos blogs. Farei uma visita, mas sempre respeitando os ditames do Biriba, que é fervoroso torcedor do Sporting.
Sucesso em sua novo empreitada e saudações alvinegras!
Biriba,
Sabes que ao ver o lixo molambo com a braçadeira de capitão eu fiquei louco e cheguei a passar torpedo para o Rodrigo e o Fabio sobre isso!
Lendo o seu comentário entendi o motivo e tem muita lógica o teu raciocínio.
Como é bom deixar um pouco a paixão de lado!
Gostei, também, do trio neyfranquista! Excelente.
Estou confiante com o trabalho de ES e torço para que os incompetentes dos nossos dirigentes renovem o contrato dele ao final do ano. Tenho certeza que montará uma bela equipe e teremos alegria!
Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!
Gil,
Eu não contrataria o sujeito, mas o fato é que ele veio. É um indolente por natureza e se acha um craque.
Só que ele é realmente um jogador de toque refinado, boa visão de jogo. Protege bem a bola e tem um passe muito bom.
Então, como fazer pra que esse cara jogue o futebol que sabe? Acho que ES encontrou a solução. ES me parece muito bom nas táticas psicológicas que emprega pra conseguir o que quer dos jogadores.
E ajustando o chutômetro oracular para o estágio mais alto, acredito que o Jônatas possa inclusive 'virar a casaca'. Mas isso é coisa de Pai Biriba, um profeta de meia tijela.
SA!
Nós temos que ganhar. Chega de empate.
saulobotafogo.blogspot.com
Saulo,
Nós vamos ganhar uma hora. A vitória não veio antes porque as arbitragens foram determinantes em alguns jogos e em outros o ataque não ajudou a superar essa ingerência.
E que seja amanhã, Saulo!
SA!
Saulo,
Nós vamos ganhar uma hora. A vitória não veio antes porque as arbitragens foram determinantes em alguns jogos e em outros o ataque não ajudou a superar essa ingerência.
E que seja amanhã, Saulo!
SA!
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