quarta-feira, 9 de setembro de 2009

À diretoria, com amor


Aqueles que me tomam por tolo
Por ter na rima a razão
E vivem um eterno improviso
Não sentem que o universo é um pactolo
Sustentando vários mundos em ação
Ao pulsar de ritmo preciso

Vagueiam com alma apagada
Chafurdam sobras entre porcos
Carecem de brilho interno
Se fazem minha estrela ofuscada
Que busquem temíveis reforços
Nas hordas de seu justo inferno

* * *

Jogos Florais I (Cacaso)

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.

Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.

Aquarela (Cacaso)

O corpo no cavalete
é um pássaro que agoniza
exausto do próprio grito.
As vísceras vasculhadas
principiam a contagem
regressiva.
No assoalho o sangue
se decompõe em matizes
que a brisa beija e balança:
o verde — de nossas matas
o amarelo — de nosso ouro
o azul — de nosso céu
o branco o negro o negro

Inscrição para um portão de cemitério (Mario Quintana)

Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

Saudações alvinegras!

2 comentários:

Anônimo disse...

제주도에 있어요!
The Doll really does Korea...

Lewis Kharms disse...

Farei uma visita já.