sábado, 1 de agosto de 2009

Deixem o artilheiro em paz


Ontem pela manhã ouvi na Rádio CBN que o técnico Ney Franco declarou que o culpado pelos 2 gols do Coritiba teria sido o zagueiro Juninho. O repórter comentou que não era do feitio do treinador revelar publicamente os autores de falhas individuais, o que é a mais pura verdade, uma vez que Ney Franco possui comportamento dissimulado, do qual é difícil extrair-se as reais intenções escondidas por detrás de suas declarações aparentemente pontuais, porém evasivas.

Não sou fã do Juninho. Mas já faz algum tempo que ando mudando a forma que vejo este jogador. Juninho merece uma defesa, apesar de uma “defesa” não merecer um Juninho.

(Vários companheiros de conversas em botequins sobre futebol acham um absurdo eu passar a elogiar alguém depois de ter metido o pau no sujeito. Mas essa intransigência intelectual faz parte do mundo e não vou ficar aqui reclamando da vida).

Dentre seus defeitos, o que mais me irritava – e ainda está lá, dando sinais de sobrevida – é a falta de brio, que considero a pedra fundamental de sustentação de um jogador de futebol. Outra é a vaidade, que dentro de campo se configura no que é chamado, no idioma do futebol, de “máscara”. A falta de raça e humildade de Juninho me irritam mais que bicicleta em calçada e buzina em sinal fechado. O que Alessandro tem de sobra, Juninho não tem de berço.

Mas são qualidades negativas que podem ser revertidas ou atenuadas, e percebo que ele vem apresentando uma “melhora” gradativa, demonstrando um comportamento bem diferente do que tinha no passado, quando essas fraquezas de caráter eram gritantes.

Já outras deficiências suas são de ordem diferente, uma vez que seu corpo o restringe a ser o que é. Seu físico só lhe permite ser um indivíduo sem “explosão”, lento, com pouca impulsão e débil em situações de impacto. Disso Juninho não tem como escapar: é da sua natureza. Um homem não pode ser condenado por algo pelo qual não é responsável.

O que interessa é que Juninho mudou. Ao se dedicar a praticar um futebol bem mais aguerrido e de parar de ficar desnecessariamente enfeitando jogadas, suas aptidões naturais começaram a se destacar, numa evolução vertiginosa. O bom toque e a saída de bola, a aproximação do ataque e o chute violento e certeiro vêm se tornando cada vez mais elementos essenciais para a melhora de seu rendimento individual e da equipe, além de cruciais para o resultado das partidas.

Então vão dizer: “Mas ele também é decisivo quando ‘entrega o ouro’ na hora H.”

Sim, concordo e é a partir dessa constatação que faço minha defesa.

Já que Juninho é reconhecidamente lento e não tem a explosão necessária para situações de mano a mano, não tem a impulsão e o vigor físico necessários a jogadas aéreas e de impacto, este jogador deveria desempenhar funções que não sejam decisivas para o bom rendimento do setor defensivo. Se Juninho tem um bom passe, se aproxima bem dos atacantes e tem um chute fulminante, ele deveria ter a incumbência de participar de jogadas de armação, de articulações de ataque e finalização. Um típico líbero.

Mas o técnico do Botafogo tem outra visão da realidade. Ao invés de aproveitar as aptidões individuais de cada jogador, ele monta seu time com um violinista tocando tímpano e um trombonista se esforçando ao oboé. Ele posiciona Juninho de forma a deixá-lo em situações e posições defensivas decisivas. Insiste em incumbir da marcação individual de adversários o zagueiro Wellington, um sujeito muito mais afeito ao combate final, fazendo com que saia da área de defesa – chegando por vezes ao campo do adversário, “colado” a um determinado jogador – e deixando Juninho no mano a mano, ou seja, expondo o sistema defensivo aos ataques adversários. Isso não é culpa de Juninho.

A falha de Juninho no primeiro gol do Coritiba pode lhe ser atribuída por estar numa posição em que dava condição de jogo ao adversário, sem estar marcando absolutamente ninguém. Mas isso é uma falha individual do jogador ou é uma deficiência no treinamento de situações defensivas? Quantos gols o Botafogo já não cedeu por falta de coordenação da linha de impedimento? Ou melhor, vocês já viram a defesa do Botafogo fazer claramente uso da tal linha de impedimento?

A “explicação” de Ney Franco para a segunda falha de Juninho é peça a ser reunida às maiores idiotices futebolísticas de todos os tempos, para que seja jogada na cratera de um vulcão ativo, e junto com seu autor. Já foi comentada no Cantinho Botafoguense e me limito a fazer um complemento.

Fala de Ney Franco: “Tínhamos uma falta a nosso favor. Não sei se era necessário o Juninho ir lá cobrar. Ele poderia ter ficado mais atrás. Não podemos tomar gols assim.”

Minha fala: A partida estava aos 44 minutos do segundo tempo. O Botafogo ganhava por 2 x 1. Sendo ou não uma boa decisão de Juninho ir cobrar uma falta a essa altura do jogo e com o placar a favor, o que as imagens do gol coritibano mostram é um quadro final composto por 5 jogadores do Botafogo e 5 do Coritiba dentro da área (fora o goleiro). Estão lá: Juninho dando o primeiro combate (imagem que contradiz a fala de Ney Franco); Fahel chegando atrasado na cobertura e dando as costas pro cruzamento (tinha acabado de entrar, esse inútil!); Eduardo fechando o setor por onde entrava um adversário; Wellington perdendo contato com o Batata; Alessandro no seu setor marcando um adversário; e Lúcio Flávio não acompanhando o cara que fez o gol (não conta pq nem entrou na área). O que estavam fazendo aos 44 minutos do segundo tempo os outros QUATRO jogadores da equipe montada, treinada e supostamente orientada por Ney Franco? Onde estavam Batista, Renato, Reinaldo e Victor Simões, que não saíram na foto do gol que tirou 2 pontos das mãos do Botafogo?

Se é pra culpar alguém, esse alguém chama-se Ney Franco.

Saudações alvinegras!

2 comentários:

Rodrigo Federman disse...

Biriba, o estranho é que só a gente critica o NF, né? Dentro do Botafogo ele é blindado!
Abs e SA!!!

Luis Eduardo Carmo disse...

Rodrigo,

Estou escrevendo com mais 3 pontos, mas com a certeza de que Ney Franco é um grande problema. A estória de que o campeonato é longo e muita água vai rolar só piora a situação. Por mim o campeonato acabaria agora.

Saudações alvinegras!