segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mesmo x Mesmo

O Botafogo amargou mais um empate nos minutos finais de uma partida contra seu atual arquirrival, o time da Gávea. Não soube administrar o resultado e deixou sua torcida sem o sabor da vitória em mais um jogo em que a equipe, apesar do espírito de luta, demonstra que é mal treinada e não tem preparo físico para manter o mesmo ritmo de jogo a partir da metade do segundo tempo das partidas.

0 0 0

"Um bom time começa com um bom goleiro" é um clichê futebolístico que bem se aplica ao que vem acontecendo ao Botafogo nos últimos tempos. Por 3 anos os goleiros continuam sendo o detalhe decisivo dos jogos contra o time da Gávea. Mesmo não cometendo falta, Castillo saiu de maneira ridícula e irresponsável no lance que deu origem ao primeiro gol adversário. Um goleiro experiente não poderia ter tido decisão tão histriônica e exibicionista. E não me convenço de que o segundo gol saiu de chute indefensável e nem o primeiro – uma cabeçada da marca do pênalti. Como me disse um amigo, o Castillo tem braços curtos, "braços de tartaruga". Duvido que do outro lado essas bolas entrassem.

Mas não posso considerar Castillo o culpado pela derrota – pra mim, esse é o gosto que fica –, pois não faltaram erros durante a partida e que levaram o Botafogo a amargar mais um mau resultado no Brasileirão.

0 0 0

Com a saída por contusão de Emerson – e que Deus se manifeste operando um milagre para que este traste fique de fora indefinidamente – o embuste travestido de técnico de futebol, Ney Franco, inventa mais uma de suas excrescências futebolísticas e ao invés de colocar um zagueiro no lugar de outro, lança um meia, recuando Leandro Guerreiro para a zaga.

Se não fosse o suficiente, ainda deixa a cargo do próprio Leandro Guerreiro a função de marcar Adriano, um notório bom cabeceador corpulento, sendo que Leandro Guerreiro é jogador de antecipação e sobra (por mais esquisito que isso possa parecer, é assim que ele rende. Nunca no mano a mano, vide gol de Renato Augusto em 2007 e de Obina em 2008).

Não deu outra, depois do Botafogo sair na frente através da única jogada clara de ataque que possui – cobrança de faltas por Juninho –, onde Alessandro em impedimento aproveita o rebote, lá está Leandro Guerreiro, estático a observar Adriano treinar cabeceadas em pleno Maracanã. Vale ressaltar que o Botafogo já havia tido um gol mal anulado, na única boa trama de ataque do jogo entre Victor Simões e André Lima.

No segundo tempo, embora desorganizado, o Botafogo estava melhor em campo que o adversário. Chegou ao segundo gol através de uma cobrança de escanteio e, numa falha da defesa vermelhopretista, o irregular, Renato, marcou de cabeça.

Quando o Botafogo começou a perder o controle do meio de campo por falta de preparo físico e inépcia individual, Ney Franco teve outra oportunidade de criar mais uma de suas aberrações futebolísticas e substituiu um meia por um atacante fora de forma. Ou seja, não ganhou poder ofensivo e nem de marcação.

Inexplicavelmente, ao invés de orientar sua equipe para congestionar o meio de campo e tocar a bola com tranquilidade e inteligência no intuito de garantir o resultado, Ney Franco lançou o time para jogar no contra-ataque. O resultado disto foram contra-ataques desperdiçados – por não contarem com jogadas bem treinadas ou por deficiências individuais –, num momento do jogo em que não precisávamos nos valer deste expediente.

Numa destas investidas perdemos a bola no campo de ataque e deu no que deu.

0 0 0

Notas.

Emerson: Saiu aos 12 do primeiro tempo, mas se continuasse em campo seria pior: nota zero

Lúcio Flávio: Uma nulidade na criação, uma nulidade no combate, uma nulidade na cobrança de faltas. Por soberba, vaidade, falta de virilidade, burrice ou tudo isso junto tentou proteger uma bola que era pra ser chutada de qualquer forma, na jogada que resultou no gol de empate: nota zero

Castillo: Não tinha nada que sair da área no lance que originou o primeiro gol. Se fosse um grande goleiro não sofreríamos nenhum dos dois gols: nota 3

Thiaguinho: Muita luta e poucos resultados: nota 4

Leandro Guerreiro: Não se pode esperar de Leandro Guerreiro que marque Adriano com eficiência. Na verdade, Leandro Guerreiro não é um bom marcador. Destaca-se pelo já conhecido espírito de luta, antecipação e boa colocação: nota 4

Eduardo: Algumas firulas, mas nada que comprometesse a defesa: nota 5

André Lima: Fez um golaço que foi mal anulado. Assim como acontecia com Victor Simões antes de sua contratação, a bola não chega a área e pouca ou nenhuma jogada de fundo é criada, pra que sua especialidade – o jogo aéreo – seja melhor explorada: nota 5

Juninho: O de sempre. Bate faltas como ninguém e teve a sorte de não ficar no mano a mano com nenhum dos atacantes adversários. Inexplicavelmente aceitou mais uma vez que outro jogador cobrasse uma falta em seu luga: nota 6

Batista: Mal posicionado – por culpa do treinador –, sua aproximação do ataque é inconsequente. O espírito de luta é um destaque em todos os jogos: nota 6

Victor Simões: Muita disposição e poucos resultados: nota 6

Renato: Por incrível que pareça, o atleticano, Renato, foi razoavelmente bem enquanto durou. Criou boa oportunidade para conclusão de Victor Simões e de duas boas cabeceadas, uma entrou. Pela declaração infeliz que fez ao torcedor alvinegro numa noitada em BH, perde um ponto: nota 6

Alessandro: O incontestável espírito de luta com que veste a camisa alvinegra e a pancada sensacional que estufou a rede no lance de seu gol fazem dele o destaque alvinegro. Vejam a que ponto chegamos: nota 8

Wellington: Pouco pôde demonstrar, mas parece ser um zagueiro seguro e que joga sério: sem nota

Reinaldo: Fora de forma, entrou num equívoco do treinador: sem nota

Ney Franco: Suas equipes são mal escaladas, o esquema tático, quando definido, se mostra equivocado. Colocou o time pra jogar no contra-ataque quando não deveria. Os jogadores são mal posicionados, substitui mal. Em suma, sua preparação técnica e suas decisões durante a partida são um fiasco: nota zero

Péricles Bassols: Marcou uma falta inexistente de Victor Simões, anulando um gol legítimo. Seu auxiliar auxiliou o Botafogo não assinalando impedimento de Alessandro, fazendo justiça pela anulação do gol legítimo. Inventou uma falta de Castillo no lance que originou o primeiro gol do time da Gávea. Não marcou pênalti em Reinaldo: nota zero

Saudações alvinegras!

(Imagens: PFC)

13 comentários:

Rodrigo Federman disse...

Biriba, tá pra existir sujeito mais burro do que o NF!
Abs e SA!!!

Alberto disse...

Fala Biriba, excelente texto. Concordo com tudo o que você disse. Mais um ouro entregue no finalzinho contra o império do mal, por pura e total falta de competência e vergonha na cara. Parece até aqueles filmes que a gente sempre sabe como vai ser o final. Um abraço.

Alberto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alberto disse...

Juninho diz que bola parada é o forte do Botafogo

- É um dos nossos pontos fortes. No futebol brasileiro e no exterior, a bola parada decide os jogos. O nosso time tem bastante opção na bola parada e isso tem feito com que a gente tenha feito muitos gols. Mas é preciso criar outras formas de marcar gols para não ficarmos marcados – disse o jogador.

O grande problema é que essa é a única jogada forte do nosso time atual, a única que representa algum perigo para o adversário.

E o que esses caras ficam treinando a semana toda? Que padrão de jogo esse time tem? Jogadas ensaiadas? Infelizmente não temos nada disso, a bola não chega nos atacantes (cadê o Yellow Flávio???) e ficamos dependentes, quase que exclusivamente, de alguém cavar uma faltinha perto da área pro Juninho bater.

E na quarta tem mais sofrimento no clássico dos aflitos, que deve ser o jogo da TV. Um grande abraço.

Luis Eduardo Carmo disse...

Rodrigo,

O Ney Franco está enterrando o Botafogo. Não é somente um técnico ruim. Além disso é um tremendo mau caráter.

Saudações alvinegras!

Luis Eduardo Carmo disse...

Alberto,

O Ney Franco é uma lástima. Essa entrevista do Juninho é uma confissão da falta de capacidade do técnico de preparar uma equipe de futebol, mesmo que dentro das limitações do elenco, aproveitando as potencialidades que cada jogador tem.

Escala mal, coloca jogadores para cumprir funções que não correspondem às suas características e etc... tem mais neste texto e em outros que já escrevi e nos estão por vir. Porque ele não vai se livrar da gente. Se ele insiste e se repete, a gente tem que fazer o mesmo.

Saudações alvinegras!

Gustavo disse...

Meu amigo Biriba, perfeito o seu comentário. O Rodrigo costuma defender o Castillo e eu sempre bati nesse tecla que você postou agora. Não acho que o Castillo seja o maior problema do time, agora muitos tem a "falsa ilusão" que temos "2 Grandes Goleiros". Acho até que é para se pensar para o ano que vem. O Renan, você até "tolera" um pouco mais com relação as suas falhas. O dinheiro que é gasto com relação ao Castillo, poderia junto com um PREPARADOR DE GOLEIROS DESCENTE, trazer um goleiro descente e ou com o potencial. UM bom exemplo é o caso do Victor do Gremio, junto com o Rever que eram jogadores do Paulista de Jundíai.

Quanto a análise do jogo. Simplesmente perfeito.
SAN.

Linkin Leo disse...

A que ponto chegamos mesmo Grande Biriba, Alessandro foi o destaque da partida, estou cada vez me sentindo mais na "beira do caos..."
Eu acho que vou dar uns tempos assistindo esse botafogo, porque Ney Frango vai acabar me fazendo ter um infarto ou algo do tipo, quanta burrice acumulada em uma só persona, meu deus, algum macumbeiro de plantão faça um trabalho de descarrego em General Severiano!!

Luis Eduardo Carmo disse...

Amigos,

Peço desculpas pela falta de presteza. Tive problemas para me reconectar à internet.

Luis Eduardo Carmo disse...

Gustavo,

O trabalho do Rodrigo me faz passar pelo Cantinho Botafoguense antes mesmo de ler o noticiário. Discordar dele, e neste caso quanto às qualidades do Castillo, é sempre uma raridade. Geralmente discordo das "notas", porque o acho muito condescendente. rs
(As minhas notas são sempre aferidas através de "critérios" emotivos).

Não discordo dele de que o Castillo seja o melhor nome do plantel para ser o titular da vaga e isso já foi escrito aqui. A capacidade de liderança, o brio e a raça também me fazem pensar que a vaga de capitão seja dele.

Agora, como escrevi, não vejo e nunca vi o Castillo como sendo um grande goleiro, tecnicamente e fisicamente.

Como vc disse, falta um bom preparador de goleiros, porque as saídas do Renan são em geral equivocadas e agora vem o Castillo pra demonstrar que estamos mal neste setor, que não é o único com problemas.

Saudações alvinegras!

Luis Eduardo Carmo disse...

Linkin Leo,

Não desista do Botafogo. Ele ressurge das cinzas e surpreende para o bem e para o mal.

Para o bem foi ver o Alessandro estufando a rede com a vontade de quem veste uma camisa com paixão. Para o mal é ver uma diretoria sem o compromisso de levar o Botafogo a ocupar o lugar a que pertence no mundo do futebol.

Saudações alvinegras!

Vicente Couto disse...

Nem Renan e nem Castillo. Discutir qual o menos fraco é perder tempo. Enquanto isso o Botafogo afunda também neste quesito, aliás não é de hoje.

Falhar, qualquer goleiro falha, seja ele Marcos, Ceni ou J. Cesar. O que diferencia o grande goleiro são as defesas que determinam um bom resultado. Isto faz a diferença. A bola do Tardelli (ato falho),digo, do Emerson, foi muito bem chutada? Foi, não há dúvida, mas um grande goleiro poderia ter feito ali a defesa do jogo. Coisa que com o Botafogo, se depender desses 2, jamais acontecerá. Nenhum dos 2 faz a diferença.

Castillo seria um excelente goleiro de futsal.

Luis Eduardo Carmo disse...

Vicente,

Sua observação é perfeita e, na minha opinião, o Vagner se encaixa bem nesse perfil. Quando precisamos, lá estava ele salvando na hora H.

Temos o Luís Guilherme, que é uma promessa real. Mas com a atual diretoria, vai ser difícil termos o prazer de vê-lo vestindo o uniforme de goleiros do Botafogo.

Saudações alvinegras!