Como prometido, não assistimos ao jogo e fomos eu e Biriba ao Jardim Zoológico. Passeio de domingo num sábado.
Pois bem, “Cachorro não entra”, esse era o papo.
Como a representação é o que está em voga na atual gestão do Botafogo, aprendemos e encenamos.
Dois bons ternos e eu - corpulento, cara fechada, óculos escuros - abrindo portas, garantindo passagem, assegurando o espaço de Biriba, isqueiro sempre a postos e atento ao movimento de uma cigarrilha entrando em cena, olhando ao redor, ângulo do queixo no horizonte. Entramos sem pagar, Biriba no papel de autoridade. O que era um “Não senhor”, transformou-se em “Por aqui, Doutor”.
Animais encarcerados não formam a melhor das visões e descobri instantaneamente que a versão de infância que tinha daquele lugar não resistiu à ação do tempo. Mas estávamos decididos de que o show de horrores do Dr. Ney Franco não nos afetaria o espírito naquele sábado ensolarado. Demos continuidade ao nosso passeio.
Em uma gaiola gigantesca, uns saguis corriam de uma lado a outro, subiam em troncos e galhos, pulavam e voltavam a subir, perseguiam uns aos outros e voltavam a repetir toda essa prática incessantemente. Biriba olhou atentamente e disse:
- O CT do Botafogo deveria se transferir pra cá.
- Mas Biriba, são animais fazendo o que é próprio dos animais.
- É, mas pelo menos eles fazem alguma coisa.
Mais adiante, um mandril dava tapinhas em um pedaço de banana e mordiscava um graveto. Ignorava as pipocas atiradas por umas crianças, que começaram a atirar pedacinhos de pau e depois pedrinhas, punhados de terra e pedras maiores, numa sucessão de manifestações que se intensificavam em busca de uma reação do babuíno. Mas nada. O imponente animal continuou a dar tapinhas no pedaço de banana e a mordiscar seu graveto, indiferente ao mundo a sua volta, olhando o horizonte como se nada estivesse acontecendo.
- Não tô gostando não, Luís.
- Quê que foi, Biriba?
- Isso aqui tá parecendo General Severiano.
Ao aproximarmo-nos de um espaço amplo, que mais parecia um grande jardim, um grou coroado nos chamou a atenção. Olhava ao redor, o pescoço fazendo movimentos circulares e um tanto abruptos, olhos esbugalhados, mas, porém, com o olhar perdido. O menor ruído chamava sua atenção e a ave se afastava da iminência de uma possível ação.
Biriba, como se penssasse alto, rosna por entre os dentes cerrados:
- Fahel...
Entreolhamo-nos e decidimos ir embora.
- Deus salve o Botafogo! Deus salve o Botafogo! Deus salve...
- Para de gritar, Biriba! Tá assustando as crianças.
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Para saberem como o Botafogo se portou no jogo de ontem, acessem Cantinho Botafoguense e Fogo Eterno.
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AVISO IMPORTANTÍSSIMO A TODOS OS BOTAFOGUENSES:


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