
Num jogo que parecia decidido, ele decidiu pelo contrário. Transformou o improvável em realidade. Destituiu de suas resignações, os conformados. Na história recente do Botafogo, ninguém melhor do que ele representa a figura que traz à lembrança o fato óbvio de que um jogo só termina na hora do apito final. O Maicosuel é épico.
Imagino que depois da invenção do Maicosuel – a melhor invenção do século XXI – os monstros do apito comecem de agora em diante a terminar os jogos aos 40 do segundo tempo, pra não dar chance ao azar. Porque o Maicosuel será pra sempre o azar dos outros.
Mas, à semelhança de qualquer herói, o meu herói tem lá seus atributos humanos. Um deles é a triste qualidade de não ser infalível.
Uma trave abjeta, um cilindro de metal desprezível resolveu entrar para a história da humanidade. E justo naquela hora, momento fadado ao esquecimento.
O mundo do Maicosuel não é o mundo das coisas estáticas. Ele faz parte do universo das idéias. É um ente abstrato, um vetor mutante. Ele contraria a ordem natural das coisas. Ele é a encarnação do inusitado. O Maicosuel pertence ao mundo dos heróis.
A famigerada trave, ao contrário Dele, é um objeto palpável, imutável, destituído de vida. Ela faz parte do mundo da normalidade. O que fazer diante do desconhecido? Como evitar a leviandade de um outro mundo, um universo menor, o mundo da obviedade?
Que aquela trave seja arrancada do Engenhão e tenha um final trágico e terrível. Que seja lançada dos muros de Tirinto, amaldiçoada por Zeus e arrastada de volta ao Inferno, de onde nunca deveria ter saído.
Saudações alvinegras!
2 comentários:
zeus sabe onde fica o engenhão...mas esqueceu onde fica a tijuca
Beth,
Zeus sabe de tudo e sabe o que faz.
Tem uma "notícia" intitulada PROCURA-SE, em que o repórter investigativo Biriba tenta solucionar o caso.
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